Semana do Patrimônio Cultural UFPE 2026 acontece de 17 a 21 de agosto nos quatro campi da Universidade
15 de agosto de 2026A programação reúne debates, exposições, oficinas, cinema, visitas mediadas e atividades participativas no Recife, Caruaru, Vitória de Santo Antão e Sertânia
O que merece ser lembrado? A pergunta que dá tema à Semana do Patrimônio Cultural UFPE 2026 convida a comunidade universitária e a sociedade a refletirem sobre as memórias, histórias, saberes, lugares, objetos e experiências que constituem o patrimônio da Universidade e dos territórios dos quais ela faz parte. Promovida pela Pró-Reitoria de Cultura (Procult), por meio da Diretoria de Memória e Patrimônio (DMP) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Semana ocorre de 17 a 21 de agosto, com atividades em todos os campi da instituição. A programação completa do evento está disponível neste link: https://www.ufpe.br/documents/5439462/0/Caderno+de+Programa%C3%A7%C3%A3o.pdf/51bea83a-5caa-406b-9983-dce6e8627845
Ao longo de cinco dias, a programação reúne mesas-redondas, conferências, rodas de conversa, oficinas, exposições, visitas mediadas, exibição de filmes e ações participativas de memória e inventário, aproximando estudantes, docentes, técnicos, pesquisadores, mestres da cultura, gestores públicos e a sociedade em torno de uma questão comum: afinal, o que escolhemos preservar e transmitir às próximas gerações?
A abertura acontece na segunda-feira (17), Dia Nacional do Patrimônio Histórico, data instituída em homenagem a Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A realização da Semana também coincide com o período da Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, promovida pelo Governo do Estado por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), fortalecendo a inserção da UFPE nas discussões sobre memória, preservação e patrimônio cultural em Pernambuco.
Universidade como território de memórias – A edição de 2026 parte do conceito de patrimônio universitário para ampliar o olhar sobre a própria Universidade. Mais do que um espaço dedicado a estudar, pesquisar e salvaguardar patrimônios, a UFPE também é, ela própria, um território de memórias. Seus edifícios, bibliotecas, acervos, museus e coleções fazem parte desse patrimônio, assim como as trajetórias de estudantes, professores e servidores, os ritos acadêmicos, os espaços de convivência e as experiências construídas cotidianamente por diferentes gerações.
Ao mesmo tempo, cada campus mantém uma relação própria com o território em que está inserido. Por isso, a programação conecta o patrimônio universitário aos saberes, manifestações culturais, histórias e práticas das comunidades de Recife, do Agreste, da Zona da Mata e do Sertão pernambucano.
É nesse encontro que a pergunta “O que merece ser lembrado?” deixa de ser apenas o tema da Semana e se transforma em um convite à participação. Ao longo da programação, diferentes atividades provocarão a comunidade a identificar, compartilhar e registrar aquilo que considera parte de sua memória e de seu patrimônio.
Abertura discute patrimônio universitário – No Recife, a programação começa na segunda-feira (17), às 19h, com apresentação cultural do Terno Cajá, formado por rabeca, pife, vozes e percussões, no anfiteatro do Niate CFCH-CCSA. Em seguida, será realizada a mesa e conferência de abertura “Patrimônio universitário: a universidade como território de memórias”, que propõe uma reflexão sobre o papel das universidades diante do patrimônio cultural e sobre o reconhecimento do patrimônio universitário como bem público e expressão da própria missão da Universidade.
Participam do debate Cristiane Feitosa, superintendente de Patrimônio Material da Fundarpe, e Francisco Sá Barreto, do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE. A mediação será de Ana Paula Ferreira de Brito, do Departamento de Antropologia e Museologia e diretora de Memória e Patrimônio da Procult.
Já a Biblioteca Central (BC) recebe a exposição “Esqueceram de nós”, que parte de uma ideia inusitada: revelar livros do acervo da UFPE que nunca foram emprestados entre 1º de janeiro de 1974 e 20 de julho de 2026. Com curadoria de Teresa Cristina Moreira de Lucena, a mostra chama atenção para obras que atravessaram décadas nas estantes sem circular e provoca uma reflexão sobre memória, esquecimento e patrimônio bibliográfico. A visitação poderá ser realizada até a sexta-feira (21), sempre das 9h às 21h.
Outro patrimônio colocado em evidência será o audiovisual. Na TVU, canal 11.1, a “Aula Aberta para Restauro – 11 Câmeras, Múltiplos Olhares” apresentará câmeras históricas da TVU atualmente destinadas à restauração, transformando o próprio processo de preservação em oportunidade de aprendizagem e reflexão. A atividade será realizada em cinco encontros, de segunda (17) até sexta-feira (21), das 14h às 17h.
Do barro de Caruaru às memórias do Sertão – Na terça-feira (18), a programação chega ao Agreste e estabelece um diálogo direto entre Universidade, território e cultura popular. Na Estação Ferroviária de Caruaru, a exposição e roda de conversa “100 Anos de Luísa Maciel — A arte que levou Caruaru para o mundo” celebra o centenário da artista e sua contribuição para a projeção da identidade cultural caruaruense.
No Alto do Moura, a oficina e roda de diálogo “Transmissão de saberes: o legado das mestras do barro” promoverá o encontro entre a Mestra Nicinha, estudantes da UFPE e a pesquisadora Kássia Danielle Soares. A atividade, no Ateliê da Mestra Nicinha, abordará desde o preparo da argila e a modelagem até a transmissão entre gerações dos conhecimentos associados à tradição do barro, destacando também o papel das mulheres artesãs na preservação dessa herança cultural.
Já na quarta-feira (19), no Centro Acadêmico do Sertão (CAS), em Sertânia, a programação inclui a mesa-redonda “Veredas do patrimônio: gestão cultural nas realidades sertanejas”, às 19h. A ação discutirá os desafios e as possibilidades da gestão pública do patrimônio cultural no contexto sertanejo e as contribuições que a Universidade pode oferecer para sua preservação e seus usos.
Na sequência, às 20h, será iniciada a oficina “História oral: a memória como patrimônio”, voltada a estudantes de graduação e dedicada às formas de registrar e valorizar narrativas, experiências e memórias por meio da história oral.
Cinema, rádio, arquitetura, capoeira e memória – A diversidade de linguagens e patrimônios é uma das marcas da programação.
No Recife, na quarta-feira (19), a capoeira será abordada como prática corporal, manifestação artística, patrimônio cultural e expressão histórica de resistência na oficina “Capoeira: cultura, movimento e resistência”, ministrada pelo Mestre Irmão (Casa da Capoeira), no Clube Universitário, às 9h.
O Complexo de Convenções, Eventos e Entretenimento também acolhe uma programação diversificada. Às 14h, tem início a atividade “A Rádio que Paulo Freire Sonhou”, dedicada ao livro que pesquisa as memórias da antiga Rádio Universidade, outrora Rádio Universitária e atual Rádio Paulo Freire. Já às 15h, o encontro “Perspectivas sobre memória e patrimônio nas pesquisas em teatro” reflete sobre o tema com uma perspectiva voltada à gestão cultural. Os 50 anos do edifício do Centro de Artes e Comunicação (CAC) também serão celebrados com uma roda de conversa e o lançamento de projeto de pesquisa dedicado à documentação e visualização digital de sua trajetória arquitetônica.
Por sua vez, o Cinema da UFPE recebe, a partir das 15h, diferentes sessões dedicadas à memória e ao patrimônio audiovisual, entre elas uma homenagem a Luiz “Lula” Lourenço, cineasta e profissional que atuou por mais de quatro décadas na TVU, com a exibição de “A Peleja do Bumba meu boi contra o vampiro do meio dia” e outros registros de sua trajetória.
A programação contempla ainda pesquisas sobre memória e patrimônio no teatro e a exibição do documentário “Assim como o ar, sempre nos levantaremos” (2022), dirigido por Clara Angélica. A obra reúne relatos de servidoras e estudantes e registra trajetórias de mulheres lésbicas, bissexuais, trans e travestis no Brasil pós-2018, abordando suas experiências, lutas e formas de resistência. A sessão integra a proposta da Semana de reconhecer as diferentes trajetórias que compõem a memória da comunidade universitária e de ampliar o debate sobre quais histórias são registradas, preservadas e lembradas no âmbito da Universidade.
Direito à memória e 20 anos do CAV – Na quinta-feira (20), a Faculdade de Direito do Recife (FDR) recebe uma visita guiada ao seu espaço de memória e acervo, seguida da conferência “Direito à Memória e ao Patrimônio Cultural”, conduzida pela professora do Centro de Ciências Jurídicas e procuradora federal Fabiana Dantas.
A Semana chega ao último dia na sexta-feira (21), celebrando também a história recente da própria universidade. Em Vitória de Santo Antão, o Centro Acadêmico da Vitória (CAV) comemora seus 20 anos com uma atividade dedicada às duas décadas de ensino, pesquisa, extensão e transformação promovidas pelo centro na região.
A programação inclui ainda uma sessão pública de “Lisbela e o Prisioneiro”, filme gravado em Vitória de Santo Antão. A exibição conecta a obra cinematográfica à paisagem, à cultura e à memória do município, integrando-se às comemorações dos 20 anos do CAV.
“O que merece ser lembrado?” – Mais do que uma assinatura da edição, a pergunta “O que merece ser lembrado?” funciona como fio condutor de toda a Semana. A proposta é provocar a comunidade a pensar sobre os processos pelos quais determinadas histórias, objetos, espaços, práticas e pessoas passam a ser reconhecidos como patrimônio – e também sobre aquilo que corre o risco de desaparecer quando deixa de ser visto, registrado, contado ou compartilhado.
A programação de 2026 também foi construída de forma participativa. A Procult, por meio da Diretoria de Memória e Patrimônio, realizou uma chamada pública para que membros da comunidade acadêmica inscrevessem ações para integrar a Semana, ampliando as perspectivas e experiências presentes no evento.
Ao ocupar os quatro campi e aproximar patrimônio universitário e territórios, a Semana do Patrimônio Cultural da UFPE 2026 reafirma o compromisso da Universidade com a preservação, a valorização e a construção compartilhada de suas memórias.
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Foto: Divulgação


