Sem cura, Olho Seco acomete mais de 27 milhões de brasileiros

Sem cura, Olho Seco acomete mais de 27 milhões de brasileiros

31 de julho de 2022 0 Por blogem

Sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento, embaçamento visual, coceira, ardor, aumento da sensibilidade à luz, dor. Esses são os principais sintomas do Olho Seco, doença que atinge até 24% da população brasileira, segundo a Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS), e é responsável por redução na qualidade de vida desses pacientes. Em último caso, o Olho Seco pode causar atrofia na conjuntiva do olho e alterações na córnea, limitando a visão.

“É uma doença crônica, que em geral não tem cura, tem controle”, explica a oftalmologista Lívia Amorim, do HOPE, hospital referência em oftalmologia da Rede Vision One. A principal característica é a diminuição da quantidade e/ou alteração da qualidade da lágrima.

A especialista aponta que o tratamento, fundamental para barrar a evolução da doença, varia. “O tratamento vai depender da gravidade de cada caso. Inicialmente é realizado com uso de lágrimas artificiais, ômega 3 e corticóide tópico. Em casos de dependência do uso de corticóide para manter a doença sob controle, podemos fazer uso de medicação imunomoduladora”, afirma a especialista Lívia Amorim.

“É importante tratar a inflamação das glândulas de Meibomius, quando presente, com uso de antibiótico tópico e/ou oral, higienização adequada e, em casos refratários, luz pulsada. Em casos mais graves, pode ser feita a oclusão do ponto lacrimal e o transplante de glândulas salivares”, completa a oftalmologista do HOPE.

O Olho Seco é uma doença multifatorial, ou seja, pode ser causada por diversos meios, como uma disfunção das glândulas de Meibomius, que ficam localizadas nas pálpebras e são responsáveis por produzir a gordura que impede a evaporação precoce da lágrima.

A doença também pode ser causada através de certas condições ambientais (ar condicionado, ambientes secos, uso de telas, poluição), uso de lentes de contato, doenças sistêmicas hormonais ou autoimunes, uso de algumas medicações ou pós-operatório de cirurgia oftalmológica (catarata e refrativa). O uso prolongado de equipamentos eletrônicos na pandemia também contribuiu para aumentar os casos. “A pandemia provocou agravamento nos casos de olho seco pelo aumento do uso de telas (computador, tablet, celular) associado ao trabalho remoto”, diz a oftalmologista Lívia Amorim.

O diagnóstico deve ser realizado por um especialista. No primeiro momento, é avaliado o surgimento dos sintomas. O oftalmologista também investiga se o paciente possui algum fator de risco para o aparecimento da síndrome. O próximo passo é fazer exames para avaliar o tempo de ruptura do filme lacrimal e coloração da superfície ocular por corantes específicos.

O mês de Julho é o mês internacional de combate e prevenção à Síndrome do Olho Seco. A campanha Julho Turquesa foi instituída pela TFOS (Tear Film Ocular Surface Society) em 2017, com o objetivo de divulgar e informar a população sobre a importância desta doença que acomete milhões de pessoas no mundo inteiro, interferindo na sua qualidade de vida e visão. Em 2020, a Associação dos Portadores de Olho Seco – APOS, em parceria com a TFOS, trouxe para o Brasil a campanha.

Prevenção

– Manter uma boa higiene dos cílios e da região em volta do globo ocular;

– Cuidar da alimentação: uma boa alimentação rica em Ômega 3 pode favorecer uma melhor lubrificação dos olhos. Consuma alimentos como: sardinhas, sementes de chia, atum e nozes;

– Ingerir bastante água: ingerir uma boa quantidade de água é fundamental para manter os olhos hidratados corretamente;

– Ajuste iluminação de telas: evite trabalhar com altos contrastes, como: brilho máximo na tela e ambiente escuro. Prefira um ambiente bem iluminado e a tela em brilho médio ou inferior;

– Realize pausas: quando trabalhar com computador ou smartphone, realize pequenas pausas durante o dia para descansar a visão;

Dra. Lívia Amorim – Oftalmologista do HOPE