Principal causa de transplantes de córnea, ceratocone pode ser evitado com diagnóstico precoce

Principal causa de transplantes de córnea, ceratocone pode ser evitado com diagnóstico precoce

10 de junho de 2022 0 Por blogem

Se você tem o costume de coçar os olhos, precisa ficar alerta. O hábito pode ser um fator de risco do ceratocone, doença ocular que é a maior causa de transplantes de córnea. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cada 100 mil pessoas no mundo, de 4 a 600 delas desenvolvem a doença. Geralmente, ele se manifesta primeiramente na adolescência, entre os 13 e 18 anos de idade do paciente, sendo frequentemente bilateral: em 90% dos casos ambos os olhos apresentam ceratocone.

A oftalmologista Manuela Cordeiro, do Hospital de Olhos Santa Luzia, defende a importância do diagnóstico precoce. “O ceratocone é uma doença que se não for diagnosticada precocemente pode gerar uma baixa visual importante. O pico de progressão máxima dessa doença é geralmente na adolescência, então a gente tá falando de pessoas jovens que podem ficar cegas”, afirma.

Os adolescentes e os jovens adultos se tornam ainda mais vulneráveis por não irem tanto ao oftalmologista. Uma pesquisa do IBOPE mostrou que uma a cada cinco pessoas entre 18 a 24 anos nunca foi ao oftalmologista (21%). “O ceratocone pode aparecer num paciente que tem queixa de baixa visão, mas ás vezes o paciente nem se queixa de baixa visual”, adverte a oftalmologista.

O ceratocone é uma deformação na córnea que cria uma “pontinha” em formato de cone, na parte frontal do olho. Sua principal característica é o afinamento na estrutura da córnea e um aumento na sua curvatura. Caso seja diagnosticado no início, a doença tem tratamento, com uso de óculos ou lentes de contato, ou, em último caso, o transplante de córnea.

Outra alternativa no combate ao ceratocone é o chamado crosslinking. “É um procedimento que utiliza luz ultravioleta e riboflavina. Ele aumenta as ligações entre as fibras da córnea e deixa a córnea do paciente mais rígida. Porque o que acontece com ceratocone é que a córnea fica enfraquecida, é como se ela fosse, digamos assim, um ‘papel manteiga’ e o tratamento transforma a córnea em uma ‘cartolina’. Geralmente só precisa fazer uma vez na vida”, explica a oftalmologista Manuela Cordeiro.

A pandemia da Covid-19 também contribuiu para dificultar o diagnóstico precoce do ceratocone. E até mesmo os transplantes foram prejudicados na pandemia, já que em 2020 este tipo de cirurgia caiu praticamente pela metade. Naquele ano, o país registrou 7,1 mil transplantes de córnea ante 14,9 mil em 2019, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Com o número de captações e transplantes em queda, a instituição aponta que a fila de espera para o transplante cresceu 80%.

“Durante a pandemia, algumas pessoas deixaram de fazer acompanhamento e não conseguiram estabilizar a doença numa fase mais precoce, e aí podem chegar a necessitar de um transplante. Se um paciente for acompanhado precocemente, dificilmente ele vai precisar de transplante”, finaliza Manuela.

Junho Violeta

O Junho Violeta é um mês focado em conscientizar a população sobre o ceratocone e chamar a atenção para a prevenção da doença. Um dos principais objetivos da campanha é alertar a população sobre o risco de coçar excessivamente os olhos e reforçar a importância de manter uma rotina de consultas com um oftalmologista e detectar qualquer problema ainda no estágio inicial.

Sintomas

Alguns sintomas mais característicos podem ser destacados:
– Fotofobia (sensibilidade à luz);
– Irritação;
– Ofuscamento;
– Imagens duplas;
– Embaçamento e distorções moderadas;
– Dificuldade para enxergar à noite.