Opinião: Não sejamos sepulcros caiados! – Por Oscar Mariano

Opinião: Não sejamos sepulcros caiados! – Por Oscar Mariano

2 de novembro de 2026 Off Por blogem

Quando a política se torna maior que a caridade, a fé deixa de ser testemunho e passa a ser apenas aparência.

Vivemos tempos em que a intolerância política ultrapassou os limites do debate e começou a atingir aquilo que deveria ser sagrado: o amor ao próximo.

É lamentável perceber que algumas pessoas, mesmo se declarando cristãs, estão deixando de ajudar quem enfrenta situações de risco, sofrimento e vulnerabilidade simplesmente por divergências políticas.

Desde quando a fome tem partido? Desde quando a dor tem ideologia? Desde quando ajudar alguém passou a depender do candidato em quem essa pessoa votou?

Jesus Cristo foi contundente ao denunciar a hipocrisia daqueles que aparentavam santidade, mas carregavam um coração distante dos verdadeiros ensinamentos de Deus:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia.” (Mateus 23,27)

É impossível não relacionar essa advertência com determinados comportamentos que presenciamos atualmente.

De que adianta carregar uma Bíblia, frequentar a igreja, participar de celebrações e publicar mensagens religiosas se, diante de alguém necessitado, somos capazes de virar as costas por questões políticas? Da mesma forma, não adianta prometer acabar com a fome, por mais de vinte anos com o mesmo discurso, e não vermos praticamente nada de concreto.

A fé que não se transforma em caridade corre o risco de ser apenas uma encenação religiosa.

Na parábola do Bom Samaritano, Cristo nos ensinou que o verdadeiro amor ultrapassa as barreiras do preconceito e da indiferença. Enquanto alguns passaram adiante, foi justamente aquele de quem menos se esperava que parou para socorrer o homem ferido.

Hoje, infelizmente, há quem prefira atravessar para o outro lado da estrada, não por desconhecer o sofrimento alheio, mas porque permite que o ressentimento político seja maior que a misericórdia.

Não precisamos abrir mão de nossas convicções. Podemos defender nossas ideias, discordar de governos e enfrentar debates políticos com firmeza. Mas nenhuma bandeira partidária pode estar acima da dignidade humana.

A política não pode ocupar o lugar de Deus. Candidatos não são messias. Partidos não são igrejas. E divergências ideológicas jamais deveriam se transformar em justificativa para negar solidariedade.

Em Mateus 25,35, Jesus nos apresenta uma verdade que deveria constranger qualquer cristão indiferente ao sofrimento alheio:

“Tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber.”

Cristo não perguntou a qual partido pertenciam os necessitados. Ensinou-nos a reconhecer sua presença justamente nos mais vulneráveis.

É fácil falar de Deus quando estamos cercados de pessoas que pensam como nós. O verdadeiro desafio cristão começa quando precisamos estender a mão a alguém de quem discordamos.

Não confundamos firmeza de princípios com dureza de coração. Não transformemos preferências políticas em critérios para exercer a caridade. E, sobretudo, não façamos da religião uma vitrine de aparências.

Porque não basta defender os valores cristãos nos discursos enquanto os negamos nas atitudes.

NÃO SEJAMOS SEPULCROS CAIADOS! Já basta quem prometeu acabar com a fome, e ainda ela bate a porta de milhões de brasileiros. Deixemos que Deus julgue.

Não adianta demonstrar uma fé bonita por fora quando, por dentro, falta espaço para a compaixão.

A política passa. Os governos passam. Os partidos passam. Mas Cristo permanece!

E, diante de Deus, a pergunta mais importante não será em quem votamos, mas se fomos capazes de reconhecer e amar Cristo na pessoa do irmão que precisava de nós.

Afinal, de que vale ganhar uma discussão política e perder aquilo que existe de mais precioso na essência do cristianismo: o amor ao próximo?

Que nossas convicções sejam firmes, mas que nossa caridade seja ainda maior.

Porque quem coloca a política acima da misericórdia pode até vencer uma disputa ideológica, mas estará se afastando do principal: JESUS CRISTO!

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Foto: Divulgação