Como a parceria entre família e escola pode fortalecer o desenvolvimento infantil
22 de setembro de 2026
Educadores defendem que os primeiros anos de vida pedem atuação conjunta entre pais, escola e rede de apoio
A primeira infância, período que vai do nascimento aos seis anos de idade, é a fase em que o cérebro humano passa pela formação mais intensa de toda a vida. Segundo o Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), cerca de 1 milhão de novas conexões neurais são criadas por segundo nesses primeiros anos, e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal aponta que 90% das conexões cerebrais já estão formadas até essa fase. As experiências vividas e o ambiente em que a criança cresce nesse período têm impacto que se estende pela vida inteira, e por isso o afeto, o cuidado, o estímulo e a proteção são fundamentais para que ela alcance todo o seu potencial.
É nessa fase que a criança amplia a linguagem, desenvolve autonomia, aprende a conviver e começa a construir sua compreensão sobre si mesma e sobre o mundo. Antes de aprender por meio de conceitos mais sistematizados, ela aprende brincando, explorando, observando e se relacionando, e é por isso que o vínculo afetivo ocupa um lugar central nesse processo.
Para especialistas em educação infantil, esse desenvolvimento não depende de um único agente. Ele se constrói a partir das diferentes relações que fazem parte do cotidiano da criança, com destaque para três frentes: a família, a escola e a rede de apoio que orbita ao redor dos pequenos, formada por avós, cuidadores e outras pessoas próximas.
José Veiga Neto, pedagogo e diretor da unidade Benfica do Colégio GGE, reforça que essa fase exige um olhar sensível para cada criança. “Não estamos apenas preparando o aluno para as fases seguintes da escolarização. Estamos contribuindo para a formação de uma pessoa em um momento decisivo do seu desenvolvimento emocional, social, cognitivo e motor”, explica.
Segundo o diretor, família e escola têm responsabilidades diferentes, mas compartilham o mesmo propósito. A família é a primeira referência de afeto, valores e pertencimento, enquanto a escola amplia esse universo com novas experiências de aprendizagem e convivência. “Uma parceria verdadeira é construída com diálogo, confiança e coerência”, diz Veiga Neto, citando reuniões, acompanhamento individual e devolutivas como parte dessa aproximação.
Essa rede também inclui pessoas que não são pais, mas participam ativamente da rotina da criança. Para o diretor, é importante que exista alinhamento entre todos os
adultos envolvidos. “A criança precisa receber orientações coerentes, respeitando naturalmente o papel e a responsabilidade dos pais ou responsáveis”, pontua, acrescentando que a escola também precisa acolher essa rede de apoio no dia a dia escolar.
É nesse contexto que a unidade do GGE na Rua Benfica, no bairro da Madalena, passa a oferecer, a partir de 2027, a Educação Infantil, ampliando sua atuação para acompanhar o aluno da primeira infância até o ensino médio, tudo dentro do mesmo endereço. A nova etapa nasceu, segundo o diretor, da escuta das próprias famílias, que já demonstravam o desejo de iniciar mais cedo a trajetória escolar dos filhos no colégio.
Localizada em um dos bairros mais tradicionais do Recife, a unidade se prepara para receber os pequenos com uma rotina planejada especialmente para essa faixa etária, com momentos de brincadeiras, música, arte, literatura e experiências de movimento, sempre com intencionalidade pedagógica, mas sem retirar da criança o direito de brincar e explorar.
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Texto: Lorena Andrade
Foto: Divulgação/GGE:

