Olhos secos no inverno: baixa umidade do ar pode agravar sintomas e prejudicar a qualidade da visão
10 de julho de 2026Mudanças no clima, uso de ar-condicionado e maior exposição às telas podem intensificar desconfortos como ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos
Durante o inverno, as mudanças nas condições climáticas podem afetar diretamente a saúde ocular. A queda da umidade do ar, associada ao aumento do uso de ambientes climatizados e à redução da lubrificação natural dos olhos, favorece o agravamento da síndrome do olho seco, uma condição cada vez mais comum e que pode comprometer o conforto visual e a rotina dos pacientes.
Segundo Dr. Victor Moura, oftalmologista do Hospital de Olhos Santa Luzia, o problema ocorre quando há uma alteração na quantidade ou na qualidade da lágrima responsável por manter a superfície ocular protegida e hidratada. “A lágrima não serve apenas para manter os olhos lubrificados. Ela possui componentes que protegem a córnea e ajudam a garantir uma boa qualidade da visão. Quando essa camada é prejudicada, o paciente pode sentir desconforto, visão embaçada e até dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia”, explica.
Baixa umidade e ambientes fechados podem intensificar o ressecamento
No período mais frio do ano, é comum que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados, utilizando ar-condicionado ou outros sistemas de climatização, fatores que reduzem a umidade do ambiente e favorecem a evaporação da lágrima. “Quando o ar fica mais seco, a lágrima evapora com maior facilidade. Além disso, em frente às telas, como celulares, computadores e televisores, costumamos piscar menos, o que prejudica a distribuição dessa proteção natural sobre os olhos”, destaca a Dr. Victor.
Entre os sinais mais frequentes do olho seco estão sensação de areia ou corpo estranho nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão, sensibilidade à luz, lacrimejamento excessivo e visão borrada ou oscilante. Embora sejam sintomas comuns, eles não devem ser ignorados, principalmente quando passam a interferir na rotina do paciente.
Cuidados diários ajudam a reduzir os sintomas
Algumas mudanças de hábito podem ajudar a minimizar o desconforto causado pelo ressecamento ocular durante o inverno. Manter uma boa hidratação, realizar pausas durante o uso prolongado de telas, evitar ambientes com vento direcionado aos olhos e cuidar da qualidade do ar em espaços fechados são medidas que contribuem para preservar a lubrificação natural dos olhos.
“É importante lembrar que o uso de colírios deve ser orientado por um oftalmologista. Existem diferentes tipos de olho seco e cada caso precisa de uma avaliação individualizada para que o tratamento seja adequado”, alerta o médico.
Diagnóstico correto evita complicações
Apesar de ser uma condição comum, o olho seco não deve ser tratado apenas como um desconforto passageiro. Quando não acompanhado adequadamente, o problema pode provocar inflamações na superfície ocular e comprometer a qualidade da visão. “Se o paciente apresenta sintomas frequentes, desconforto persistente, vermelhidão ou alteração visual, é fundamental buscar avaliação especializada. O diagnóstico correto permite identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado”, orienta Dr. Victor Moura.
Além do acompanhamento para casos de olho seco, consultas oftalmológicas regulares são fundamentais para identificar precocemente outras alterações oculares que podem evoluir sem sintomas, contribuindo para a preservação da visão ao longo da vida.
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Foto: Reprodução/Internet


