Artigo: “patriota”que pede intervenção estrangeira não é Patriota – Por Oscar Mariano

Artigo: “patriota”que pede intervenção estrangeira não é Patriota – Por Oscar Mariano

12 de maio de 2026 Off Por blogem

Em tempos de crise política e polarização, é preocupante ver uma parcela da população brasileira defender abertamente uma possível intervenção dos Estados Unidos no Brasil, como se a solução para os nossos problemas devesse vir de fora. Esse pensamento revela não apenas um desprezo pela soberania nacional, mas também uma grave contradição: quem se diz patriota não pode, ao mesmo tempo, desejar que outra nação interfira nos rumos do nosso país.

O Brasil é uma democracia. Com falhas, desafios e divergências, sim. Mas é justamente dentro da democracia que os conflitos devem ser enfrentados e resolvidos: através do voto, das instituições, do debate público e do fortalecimento da Constituição. Pedir que uma potência estrangeira intervenha em assuntos internos é admitir a incapacidade do próprio povo brasileiro de conduzir o seu próprio destino.

E existem caminhos reais para mudar a realidade do país sem abrir mão da soberania nacional. O primeiro deles é a participação política consciente. O brasileiro precisa acompanhar mais de perto o trabalho dos políticos que elege, cobrar posicionamentos, fiscalizar gastos públicos e não lembrar da política apenas em período eleitoral.

Outro ponto fundamental é o fortalecimento da educação e da informação de qualidade. Uma sociedade bem informada se torna menos vulnerável à manipulação, à radicalização e aos discursos que incentivam soluções autoritárias ou dependência externa.

Também é necessário valorizar as instituições democráticas, mesmo diante das críticas legítimas. Democracia não significa ausência de problemas, mas a possibilidade de resolvê-los dentro da legalidade, sem rupturas ou submissão a interesses estrangeiros.

Além disso, o país precisa de maior união em torno de pautas que realmente impactam a vida da população: combate à corrupção, geração de emprego, segurança pública, saúde, educação e desenvolvimento econômico. Enquanto o debate público permanecer preso apenas ao ódio ideológico, o Brasil continuará dividido e distante das soluções que realmente importam.

A história mundial mostra que intervenções externas nunca acontecem por altruísmo. Toda grande potência age em defesa de seus próprios interesses econômicos, estratégicos e políticos. Nenhum país entrega soberania sem pagar um preço alto. Defender ingerência estrangeira é abrir mão da independência conquistada com tanto sacrifício ao longo da nossa história.

O Brasil precisa de mais responsabilidade cívica e menos submissão ideológica. Não cabe aos Estados Unidos, nem a qualquer outro país, decidir o futuro da nossa nação. Cabe aos brasileiros. Somos nós que devemos corrigir os erros, exigir transparência, fortalecer as instituições e construir um país melhor. Quem ama o Brasil luta para transformar a realidade com consciência, participação e coragem, não terceirizando a própria soberania.
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Foto:,Divulgação