Vamos falar sobre os jovens que o Brasil abandonou – Por Fernando Santos, Juíz Aposentado e Pré-Candidato a Deputado Federal
1 de março de 2026Meu nome é José Fernando. Sou Juiz de Direito aposentado, trabalhei mais de 30 anos na Justiça de Pernambuco, quase 7 deles cuidando de casos de crianças e adolescentes em 42 cidades do Agreste.
Mas antes de ser juiz, eu fui um menino abandonado.
Em 1960, alguém me deixou dentro de uma caixa de sapatos numa praça de João Pessoa. Recém-nascido. Sem nome. Sem família. Sem nada.
Se fosse pelos padrões da época, meu destino estava traçado: virar estatística. Mais um “menor” que o Brasil finge que não existe.
Mas Deus colocou no meu caminho o Sargento Edson e Dona Luíza, que me adotaram e me criaram como filho.
Foi essa chance que mudou tudo.
Aquele menino da caixa de sapatos se formou em Direito, virou juiz, e passou décadas da vida decidindo o futuro de milhares de crianças e adolescentes.
Por isso eu sei do que estou falando. Não é teoria. É vida.
O PROBLEMA: UM SISTEMA QUE NÃO FUNCIONA
Olha, vou ser direto com vocês.
O sistema que cuida dos adolescentes que cometem crimes no Brasil não funciona. Simples assim.
A gente pega um menino de 14, 15 anos que roubou um celular, bota ele numa unidade de internação, e o que acontece lá dentro?
Quase nada.
Ele entra sem saber ler direito. Sai sem saber ler direito.
Entra sem profissão. Sai sem profissão.
Entra com o rótulo de “menor infrator”. Sai com o mesmo rótulo — só que agora ninguém quer dar emprego pra ele.
E aí, o que acontece? Volta pro crime. E dessa vez, crime mais pesado.
Os números mostram isso:
70% dos meninos internados já tinham largado a escola antes de serem pegos
Mais de 90% não tinham nem terminado o Ensino Fundamental
A maioria é negro, pobre, de família que já sofria abandono do Estado
Quase metade volta a cometer crimes depois de sair
Isso não é “recuperar” ninguém. Isso é jogar dinheiro fora e fabricar criminosos mais perigosos.
O QUE EU PROPONHO: UM SISTEMA QUE REALMENTE EDUCA
Eu não venho aqui só criticar. Venho com proposta.
Passei meses estudando o que funciona em outros países da América do Sul — Chile, Colômbia, Uruguai. Lugares que conseguiram baixar a reincidência, que conseguiram transformar jovens de verdade.
E sabe o que esses lugares têm em comum?
Educação de verdade. Curso profissionalizante de verdade. E oportunidade de emprego quando o menino sai.
Não é mágica. É trabalho sério.
Então, vou explicar minha proposta em quatro pontos simples:
1. ESTUDAR VAI VALER ALGUMA COISA
Hoje, o adolescente internado até frequenta escola lá dentro, mas é de qualquer jeito. Ninguém cobra, ninguém acompanha direito.
Na minha proposta, estudar vira obrigação de verdade — e também vira vantagem.
Funciona assim:
A cada 12 horas que o jovem frequentar a escola e for bem nas avaliações, ele ganha 1 dia a menos de internação.
Se ele tirar notas boas, se mostrar que está se esforçando, isso vai contar na hora de decidir se ele pode ir pra um regime mais leve.
Ou seja: o estudo vira o caminho pra liberdade.
Quem estuda, sai antes. Quem não estuda, fica mais tempo.
É justo. É lógico. E funciona.
2. TODO MUNDO SAI COM UMA PROFISSÃO
Não adianta só alfabetizar. O menino precisa sair de lá sabendo fazer alguma coisa que o mercado de trabalho queira.
Na minha proposta, todo adolescente internado vai fazer um curso profissionalizante de verdade.
Não é cursinho meia-boca. É curso certificado pelo SENAI, SENAC, SENAR — instituições que o mercado respeita.
Mecânica. Elétrica. Construção civil. Informática. Gastronomia. Agricultura.
E tem mais: o jovem só vai poder passar pro regime de semiliberdade depois de terminar pelo menos o módulo básico do curso.
Não é pra punir mais. É pra garantir que ninguém saia de lá de mãos vazias.
Imagina: o menino entra sem saber nada, e sai com um certificado do SENAI no bolso. Isso muda o jogo.
3. TECNOLOGIA DE PONTA LÁ DENTRO
As unidades socioeducativas hoje parecem que pararam no tempo. Sala de aula velha, material ultrapassado, nada de computador direito.
Na minha proposta, a gente leva tecnologia de verdade pra dentro dessas unidades.
Computadores e tablets com plataformas de ensino modernas
Simuladores de realidade virtual pra treinar profissões (tipo os que usam pra treinar piloto de avião, só que pra mecânico, eletricista, etc.)
Ensino por jogos educativos — o que chamam de “gamificação”
Laboratórios práticos onde o menino põe a mão na massa
Se a gente quer que esses jovens entrem no mercado de trabalho do século XXI, a gente precisa preparar eles com ferramentas do século XXI.
4. EMPREGO GARANTIDO PRA QUEM SE ESFORÇOU
Esse é o ponto mais importante de todos.
De nada adianta o menino estudar, fazer curso, tirar certificado, se quando ele sair ninguém quiser contratar ele porque tem “ficha suja”.
Na minha proposta, a gente cria um programa especial pra garantir emprego pros jovens que saem do sistema socioeducativo.
Como funciona?
Pras empresas:
A empresa que contratar esses jovens como aprendizes vai poder abater o dobro do salário pago no Imposto de Renda
Vai pagar menos contribuição pro Sistema S
Vai ter acesso a empréstimos especiais do BNDES com juros mais baixos
Vai ganhar um selo de “Empresa Parceira da Socioeducação” que vale ponto em licitação do governo
Pros empresários que contratarem:
Aqui vem a parte mais inovadora. Não é só a empresa que ganha. O empresário — a pessoa física — também vai ser reconhecido.
A gente vai criar o “Clube do Empregador Social”. O empresário que contratar jovens do sistema socioeducativo vai ter acesso a:
Sala VIP em aeroporto
Desconto na compra de carro novo
Benefícios em hotéis e restaurantes
Reconhecimento público pelo trabalho social
E isso não vai custar dinheiro do governo. Vai ser bancado por parcerias com companhias aéreas, montadoras, redes de hotel — que também ganham em imagem.
A ideia é simples: quem dá oportunidade pra esses jovens merece ser valorizado.
Quanto mais jovens o empresário contratar, mais benefícios ele ganha. Isso cria um ciclo positivo: todo mundo quer participar, todo mundo ganha, e principalmente: os jovens ganham uma chance de verdade.
MAS E O DINHEIRO? DE ONDE VEM?
Sempre perguntam isso. E eu respondo na lata:
Primeiro: Já existe o Fundo da Infância e Adolescência. A gente precisa usar ele direito.
Segundo: Emendas parlamentares. Se eu for eleito, pode ter certeza que vou direcionar recurso das minhas emendas pra isso.
Terceiro: Dinheiro internacional. O Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Mundial, a UNICEF — todos têm programas pra financiar projetos de justiça juvenil. O Brasil precisa ir atrás.
Quarto: Parceria com empresas. Muita empresa quer fazer responsabilidade social, mas não sabe como. A gente organiza isso.
E quinto — e mais importante: Investir em educação desses jovens sai mais barato do que pagar o custo de quando eles voltam pro crime.
Cada assalto a menos, cada homicídio evitado, cada família que não perde um filho pra violência — tudo isso tem valor. O sistema de prisão brasileiro custa uma fortuna. Prevenir é muito mais barato do que remediar.
POR QUE EU?
Vocês podem perguntar: “Por que votar em você pra isso?”
E eu respondo com a minha história.
Eu não sou político de carreira que descobriu esse tema ontem. Eu vivi isso a vida inteira.
Fui abandonado quando nasci. Se não tivessem me dado uma chance, eu poderia ter virado estatística.
Fui juiz por mais de 30 anos. Vi de perto o que funciona e o que não funciona. Assinei milhares de sentenças. Decidi o destino de milhares de adolescentes.
Sou presidente de uma associação que cuida de pessoas com necessidades especiais. Sei o que é lutar pelos que a sociedade esquece.
Sou membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Conheço a lei e sei como mudar ela.
Eu tenho experiência técnica. Eu tenho vivência pessoal. E eu tenho compromisso.
Se o povo de Pernambuco me der a honra de ser Deputado Federal, eu prometo: essa vai ser minha bandeira número um.
Não vou descansar enquanto o Brasil não tiver um sistema socioeducativo que realmente eduque, que realmente profissionalize, que realmente dê chance pros nossos jovens.
PRA FECHAR
Olha, eu sei que tem muita gente que olha pra esses adolescentes e pensa: “Bandido bom é bandido morto” ou “Tinha que prender e jogar a chave fora”.
Eu entendo a raiva. De verdade. A violência machuca, mata, destrói famílias.
Mas eu peço pra vocês pensarem comigo:
Esse menino de 15 anos que roubou um celular — ele nasceu bandido? Ele veio ao mundo querendo roubar?
Ou ele nasceu numa família pobre, abandonada pelo Estado, numa comunidade dominada pelo tráfico, estudou em escola que não funciona, e foi seduzido pelo crime porque era a única “oportunidade” que apareceu na vida dele?
Nenhuma criança nasce pro crime. Eu sou a prova viva disso.
Eu era pra ser estatística. Era pra ter virado “menor infrator”, “bandido”, número em relatório de violência.
Mas alguém me deu uma chance. E essa chance me transformou em juiz.
Quantos juízes, médicos, engenheiros, professores, trabalhadores honestos a gente está perdendo porque não damos chance a esses meninos?
Minha proposta não é passar a mão na cabeça de ninguém. Quem errou tem que responder pelo erro. Mas responder de um jeito que transforme, não de um jeito que piore.
Educação. Profissão. Oportunidade.
É isso que funciona. É isso que eu defendo. É isso que eu vou lutar pra fazer virar lei.
Me ajuda nessa missão?
Se você acredita que o Brasil pode ser diferente, que a gente pode quebrar esse ciclo de violência, que todo jovem merece uma segunda chance — então vem comigo.
Compartilha essa mensagem. Conversa com sua família, seus amigos, seu vizinho.
E quando chegar a hora, lembra do meu nome: José Fernando.
O menino da caixa de sapatos que virou juiz.
E que agora quer ajudar outros meninos a terem a mesma chance que ele teve.
Muito obrigado. E que Deus abençoe o Brasil.
José Fernando Santos de Souza
Juiz de Direito Aposentado
Pré-candidato a Deputado Federal por Pernambuco
PRD/Solidariedade
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#SegundaChance
#SocioeducaçãoQueTransforma.
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Foto: Divulgação


