O Bebê da Caixa de Sapatos: Um desabafo de quem não tem padrinhos, mas tem história – Por Fernando Santos, Juíz Aposentado e Pré-candidato a Deputado Federal por Pernambuco

O Bebê da Caixa de Sapatos: Um desabafo de quem não tem padrinhos, mas tem história – Por Fernando Santos, Juíz Aposentado e Pré-candidato a Deputado Federal por Pernambuco

28 de fevereiro de 2026 Off Por blogem

Dizem por aí que eu sou um “candidato cauda”. Que sou um neófito. Um ninguém na política. E sabem de uma coisa? Eles têm razão. Eu não tenho mandato. Não distribuo emendas. Não tenho padrinho político. Não tenho cofre de campanha cheio. Não tenho empresários financiando minha candidatura. Não tenho máquina partidária trabalhando por mim. O que eu tenho? Uma caixa de sapatos.
Em 1960, em uma praça de João Pessoa, alguém deixou um recém-nascido dentro de uma caixa de sapatos. Esse bebê era eu. Houve quem dissesse — e disseram mesmo, com todas as letras — que “caixa de sapatos só serve para fazer as necessidades dentro”. Dando a entender que eu não passo de… Bem, vocês entenderam. Mas aqui estou eu. Trinta anos de magistratura. Dezoito anos como Juiz Titular da Vara da Fazenda Pública de Caruaru. Quase sete anos percorrendo 42 municípios do Agreste como Juiz Regional da Infância e Juventude. Milhares de processos. Centenas de adoções. Incontáveis crianças que encontraram um lar porque alguém acreditou que elas mereciam uma chance. Eu sei o que é ser esse alguém que precisa de uma chance. Olho para os meus adversários e vejo candidatos que já conhecem como as coisas funcionam. Que sabem quais portas abrir, quais mãos apertar, quais favores cobrar. Vejo empresários que nunca precisaram escolher entre comprar remédio ou pagar a conta de luz, mas que agora querem “representar o povo”. E eu? Eu venho de uma caixa de sapatos. Não tenho dinheiro para comprar apoio. Não tenho como competir com quem transforma política em investimento empresarial. Não tenho como disputar com quem já está lá dentro, distribuindo emendas para os aliados, construindo suas redes de poder. É uma luta desigual? É.É quase impossível? Talvez. Vou desistir? Jamais. Porque eu não me candidato por vaidade. Não busco status. Não quero holofotes. Eu me candidato porque em algum lugar de Pernambuco — talvez neste exato momento — existe outro bebê em outra caixa de sapatos. Existe uma criança esperando que alguém lhe dê uma chance. Existe um jovem no sistema socioeducativo que todo mundo já desistiu. Existe uma mãe em desespero que não sabe a quem recorrer. Essas pessoas precisam de alguém que as entenda. E eu entendo. Porque eu fui uma delas. Sargento Edson e Dona Luíza não tinham muito. Eram pessoas simples, humildes. Mas me deram o que nenhum dinheiro compra: amor, dignidade e a certeza de que eu era alguém. Por causa deles, o bebê da caixa de sapatos se tornou Juiz de Direito.
Por causa deles, aprendi que o valor de uma pessoa não está no berço de ouro, mas no caráter que ela constrói. Por causa deles, sei que não existe criança irrecuperável — existe criança que ainda não encontrou quem acredite nela. Então sim, sou um neófito. Sou um “candidato cauda”. Sou o azarão dessa disputa. Mas confio em Deus, que me tirou daquela praça em João Pessoa e me trouxe até aqui. E confio no povo de Pernambuco — esse povo forte, guerreiro, que conhece a dureza da vida e sabe reconhecer quem fala de verdade. Do Agreste ao Sertão, do Litoral à Zona da Mata, eu levo comigo uma mensagem simples: Se um bebê abandonado em uma caixa de sapatos pode se tornar Juiz de Direito, então qualquer criança de Pernambuco pode sonhar. Mas para que esses sonhos se realizem, precisamos de políticas públicas sérias. Precisamos fortalecer os Conselhos Tutelares, os CRAS, os CREAS. Precisamos de um sistema de proteção à infância que funcione de verdade. Precisamos de alguém em Brasília que saiba do que está falando — não por teoria, mas por vivência. Eu sou essa pessoa. Não tenho muito a oferecer além da minha história, da minha experiência e do meu compromisso. Mas isso, eu ofereço de coração inteiro. Porque o bebê da caixa de sapatos não esquece de onde veio. E nunca vai esquecer para quem trabalha. Meu nome é Fernando Santos. Fui Juiz de Direito por mais de 30 anos. Hoje, peço humildemente a chance de continuar servindo — agora como Deputado Federal. Do agreste ao sertão, o bebê da caixa de sapatos é a melhor solução. Confio em Deus. Confio em vocês. Fernando Santos, Juiz de Direito Aposentado, Pré-candidato a Deputado Federal por Pernambuco pelo PRD/Solidariedade.v
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Foto: Divulgação