Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em greve por tempo indeterminado

Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em greve por tempo indeterminado

9 de setembro de 2026 Off Por blogem

A partir desta quinta-feira (10), os funcionários da Caixa Econômica Federal em Pernambuco iniciam uma greve por tempo indeterminado. A decisão ocorre após a recusa das propostas apresentadas pelas instituições financeiras durante a campanha salarial e foi ratificada pelo Sindicato dos Bancários de Caruaru.

Enquanto a mobilização dos empregados da Caixa tem alcance nacional e adesão massiva nas bases sindicais, a situação no Banco do Brasil é de paralisação parcial ou reabertura de negociações no estado. Em diversas localidades, incluindo Pernambuco, foram convocadas novas assembleias para avaliar os rumos do movimento.

Impasse na campanha salarial

A greve é o desfecho de semanas de negociações travadas. Durante as mobilizações, o sindicato destacou a insatisfação com a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), defendendo um reajuste real de 5% e a preservação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) unificada.

A manutenção da CCT é vista como essencial pelos representantes dos trabalhadores, pois garante que a categoria de norte a sul do país mantenha o mesmo patamar de salários, auxílios (como vale-refeição e alimentação) e um arcabouço unificado de garantias.

Setor privado vs. Bancos públicos

Diferente do setor público, os bancários da rede privada e de instâncias estaduais em Pernambuco aprovaram as propostas da Fenaban, mantendo o atendimento normal nas agências privadas após a assinatura do acordo.

Nos bancos públicos, contudo, as divergências persistem:

  • Caixa Econômica Federal: A ampla maioria dos empregados votou contra o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e a CCT.
  • Banco do Brasil: As propostas foram rejeitadas na maior parte das bases ou reabertas para discussões específicas em assembleias locais.

Os gargalos das negociações

Na Caixa, o principal pivô do impasse é a reestruturação do plano Saúde Caixa. O modelo proposto pelo banco traz reajustes alinhados por faixa etária, o que as entidades representativas criticam por comprometer os princípios de solidariedade e o pacto intergeracional. Entre os itens rejeitados estão:

  • Elevação da alíquota do titular de 3,5% para até 4,5% da renda base;
  • Mensalidades por dependente podendo atingir R$ 660;
  • Aumento do teto do comprometimento da renda familiar de 7% para 9%;
  • Dobra na coparticipação em atendimentos de emergência (de R$ 75 para R$ 150) e elevação do teto anual de coparticipação familiar para R$ 4,8 mil.

Para tentar conter o avanço do movimento, a direção da Caixa convocou uma nova rodada de conversas em São Paulo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

No Banco do Brasil, embora mesas de diálogo tenham sido reabertas no início da semana, o sindicato apontou falta de avanços em pontos centrais, como a realização de novos concursos públicos, reformulação do plano de cargos e salários e melhorias no custeio da CASSI. O detalhamento do pagamento de R$ 3 mil referente à Campanha de Adimplência 2026 para cerca de 71,5 mil servidores das áreas operacionais e apoio não alterou o desfecho das assembleias da categoria.
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