Maio Verde reforça alerta sobre glaucoma, principal causa de cegueira irreversível
15 de maio de 2026Doença silenciosa pode evoluir sem sintomas e exige diagnóstico precoce para preservar a visão
Durante o mês de maio, a campanha Maio Verde intensifica a conscientização sobre o glaucoma, uma neuropatia óptica progressiva que está entre as principais causas de cegueira irreversível no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 1,7 milhão de pessoas convivam com a doença, o que reforça a importância de estratégias de rastreio e acompanhamento oftalmológico regular para reduzir os impactos na saúde pública.
Caracterizado por danos ao nervo óptico, geralmente associados ao aumento da pressão intraocular, o glaucoma compromete gradualmente o campo visual e pode evoluir sem sinais perceptíveis nas fases iniciais. “O glaucoma é uma doença que, na maioria dos casos, não apresenta sintomas no início. Quando o paciente percebe alguma alteração, muitas vezes a perda visual já aconteceu. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para preservar a visão”, explica Dra. Mariana Barros, oftalmologista do Hospital de Olhos Santa Luzia.
DIAGNÓSTICO PRECOCE É DECISIVO
A identificação do glaucoma não depende de um único exame, mas de uma avaliação oftalmológica completa. A aferição da pressão intraocular (tonometria), a análise do nervo óptico (fundoscopia), o exame de campo visual e a tomografia de coerência óptica (OCT) são fundamentais para detectar alterações estruturais e funcionais precoces.
Um dos principais desafios clínicos é que a pressão intraocular pode não estar elevada em todos os casos, como ocorre no glaucoma de pressão normal. Por isso, o diagnóstico exige uma análise integrada dos achados. A recomendação é que pessoas a partir dos 40 anos realizem consultas periódicas, com maior frequência nos grupos de risco. A ausência de sintomas não exclui a possibilidade da doença, o que torna o rastreio ativo indispensável.
FATORES DE RISCO E EVOLUÇÃO DA DOENÇA
O glaucoma pode se manifestar de diferentes formas, sendo o tipo de ângulo aberto o mais comum e de evolução lenta, enquanto o de ângulo fechado pode surgir de maneira súbita e mais grave. Em ambos os casos, o comprometimento do nervo óptico ocorre de forma progressiva e irreversível quando não há controle adequado.
“O glaucoma pode evoluir de forma silenciosa por anos. Muitos pacientes só percebem a doença quando já há perda do campo visual, que não pode ser recuperada. Por isso, quem tem fatores de risco precisa de acompanhamento regular e rigoroso”, destaca Dra. Mariana.
A progressão da doença ocorre de maneira contínua e irreversível. Nos estágios iniciais, há perda sutil da visão periférica, muitas vezes imperceptível no dia a dia. Em fases avançadas, o campo visual se restringe progressivamente, podendo levar à chamada visão tubular e, eventualmente, à cegueira.
TRATAMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO
Embora não tenha cura, o glaucoma possui manejo clínico eficaz quando diagnosticado precocemente. O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular para níveis seguros, evitando a progressão do dano ao nervo óptico. Isso pode ser feito por meio de colírios hipotensores, terapias a laser ou procedimentos cirúrgicos, conforme a gravidade e a resposta do paciente.
A adesão ao tratamento é um dos principais desafios, já que se trata de uma condição crônica e, muitas vezes, assintomática. A interrupção do uso de medicamentos pode acelerar a progressão da doença. Nesse contexto, campanhas como o Maio Verde desempenham papel fundamental ao ampliar o acesso à informação e estimular o cuidado contínuo com a saúde ocular.
Ao reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular, a campanha contribui diretamente para a redução de casos de cegueira evitável e para a preservação da qualidade de vida da população.
Foto: Banco de imagem gratuito
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Foto da Dra. Mariana Barros: Dayvison Nunes/divulgação



