Escolas reforçam iniciativas de alimentação saudável diante do avanço da obesidade infantil

Escolas reforçam iniciativas de alimentação saudável diante do avanço da obesidade infantil

10 de abril de 2026 Off Por blogem

O lanche levado para a escola pode dizer muito sobre a rotina de uma criança e também influenciar diretamente em como ela aprende, se concentra e se comporta ao longo do dia. Nos últimos anos, a qualidade da alimentação passou a ocupar mais espaço no ambiente escolar, impulsionada pelo avanço da obesidade infantil. Hoje, uma em cada cinco crianças e adolescentes no mundo vive com sobrepeso ou obesidade, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026. Em resposta a esse cenário, escolas têm reforçado iniciativas para estimular hábitos alimentares mais saudáveis e trazer as famílias para perto desse processo.

No Brasil, são 16,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com sobrepeso ou obesidade. O impacto vai além da balança e já aparece em diagnósticos precoces de hipertensão e alterações metabólicas, o que reforça a importância de ações contínuas de educação alimentar desde cedo.

Na grade curricular do Colégio GGE, a alimentação saudável faz parte da rotina e é tratada como extensão do aprendizado. Desde a Educação Infantil, os alunos participam de aulas semanais de Educação Nutricional, com atividades práticas e projetos que incentivam escolhas mais equilibradas, além de opções mais saudáveis nas cantinas.

Para Nancy Pernambuco, nutricionista da escola, o que está no prato, ou na lancheira, tem relação direta com o desempenho dos estudantes. “O cérebro da criança ainda está em formação e depende de nutrientes como ferro, zinco, vitaminas do complexo B e ômega 3, que influenciam a memória, a concentração e o aprendizado”, explica.

Ela chama atenção para o excesso de açúcar. “Alimentos muito açucarados até dão energia rápida, mas depois vêm a queda, a sonolência e a dificuldade de concentração”, detalha.

Na outra ponta, uma alimentação equilibrada ajuda a manter o ritmo ao longo do dia. “Com carboidratos mais adequados, proteínas e hidratação, a criança consegue manter a energia estável e aproveitar melhor as atividades”, afirma.

Esse cuidado começa pela lancheira. A praticidade ainda leva ao consumo frequente de ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura. “Muitas vezes, o básico resolve. Fruta é prática, acessível e nutritiva. Alimentar não é só matar a fome, é nutrir”, reforça.

A variedade também importa. Repetir sempre os mesmos alimentos pode desestimular o interesse, enquanto diversificar ajuda a ampliar o repertório alimentar. Na escola, esse incentivo acontece de forma contínua, mas ganha mais força quando chega em casa. “Quando a família participa, o impacto é muito maior. Vale acompanhar o que a criança aprende e levar isso para o dia a dia. Se a criança teve contato com uma fruta nova em sala, por exemplo, vale repetir essa experiência em família”, orienta Nancy.

Incluir os filhos nas compras, no preparo dos alimentos e na montagem da lancheira também faz diferença. “O exemplo é essencial. Quando a criança vê os pais consumindo determinados alimentos, ela se sente mais segura para experimentar”, afirma.

A nutricionista destaca ainda que a construção de hábitos leva tempo. “A criança pode precisar de várias experiências com o mesmo alimento até aceitá-lo. Não é indicado desistir na primeira recusa. É um processo”, conclui.
Texto: Lorena Andrade
Foto: Divulgação/GGE