“Esse time precisa voltar pra casa”: finais do Campeonato Pernambucano 2026 viram mobilização por crianças desaparecidas

“Esse time precisa voltar pra casa”: finais do Campeonato Pernambucano 2026 viram mobilização por crianças desaparecidas

26 de fevereiro de 2026 Off Por blogem

Nas arquibancadas, a rivalidade é histórica. Em campo, a disputa promete fortes emoções entre Clube Náutico Capibaribe e Sport Club do Recife. Mas nas finais do Campeonato Pernambucano 2026, um outro chamado ecoará acima de qualquer grito de gol: “Esse time precisa voltar pra casa.”

A campanha, promovida pela Federação Pernambucana de Futebol (FPF), juntamente com o Governo de Pernambuco através da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência (SJDH) e demais secretarias estaduais, transforma o maior clássico do Estado em uma grande corrente de conscientização sobre o tráfico de pessoas com foco no desaparecimento de crianças e adolescentes.

A primeira ação da campanha acontece já neste domingo, na Ilha do Retiro, durante o jogo entre Sport e Náutico, marcando o início de uma mobilização que seguirá nas duas partidas decisivas do Estadual.

Porque, para muitas famílias pernambucanas, o time está incompleto. Falta alguém. Falta um filho, uma filha, uma criança que ainda não voltou para casa.

Em 2025, Pernambuco registrou 2.745 pessoas desaparecidas. Entre elas, 695 eram menores de idade, uma média de dois desaparecimentos de crianças ou adolescentes por dia. Cada número carrega uma história interrompida, uma cadeira vazia, uma família que vive entre a esperança e a dor.

Durante as partidas decisivas, mensagens de alerta, orientações e os canais oficiais de denúncia serão divulgados nos estádios e nas transmissões, ampliando o alcance da campanha e fortalecendo a rede de proteção.

Para a secretária da SJDH, Joanna Figueirêdo, a mobilização reforça o compromisso do Governo do Estado:

“Essa campanha é um direcionamento da governadora Raquel Lyra para que ampliemos as ações de prevenção e enfrentamento ao desaparecimento de crianças e adolescentes. Quando dizemos que ‘esse time precisa voltar pra casa’, estamos falando de vidas reais, de famílias que esperam. A Secretaria vem atuando de forma firme, em articulação com diversos parceiros e órgãos do sistema de justiça, no enfrentamento ao tráfico de pessoas que é um crime brutal que tem vitimado, crianças e adolescentes, muitas vezes entre os mais vulneráveis. Por isso, utilizar a força do esporte como instrumento de mobilização social é um passo fundamental para proteger nossa infância. Agradecemos à Federação Pernambucana de Futebol pela sensibilidade, pelo convite e pela parceria nessa ação. O esporte, como grande mobilizador, também é uma importante ferramenta de transformação social e de promoção de direitos.”

O diretor de competições da FPF, Gustavo Sampaio, destaca o papel social do esporte:

“Essa é uma campanha que mexe profundamente com cada um de nós. O desaparecimento de uma criança não é apenas um dado estatístico, é uma dor coletiva. É importante que o futebol esteja presente nessas causas, colocando sua visibilidade a serviço da conscientização e da proteção das nossas crianças.”

Mais do que uma final, o Pernambucano 2026 se transforma em um símbolo de união. Porque, acima de qualquer rivalidade, existe algo maior: o direito de toda criança crescer protegida e o direito de toda família ver seu time completo novamente.

Esse time precisa voltar pra casa.
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Crédito da foto: Federação Pernambucana de Futebol