Mensagem ao Povo de Pernambuco e de Caruaru – Por Fernando Santos, Juíz de Direito Aposentado do TJPE

Mensagem ao Povo de Pernambuco e de Caruaru – Por Fernando Santos, Juíz de Direito Aposentado do TJPE

21 de fevereiro de 2026 Off Por blogem

Meu povo de Pernambuco, minha gente de Caruaru, eu preciso falar com o coração aberto. Preciso que vocês me conheçam de verdade, porque quem se propõe a servir o povo tem a obrigação de mostrar quem é.

Eu nasci e fui abandonado. Deixado numa caixa de sapato, numa praça pública de João Pessoa, em 1960. Um recém-nascido jogado fora, como quem joga um objeto sem valor. Eu não tinha nome, não tinha família, não tinha nada. Só tinha o choro de um bebê pedindo para viver.
Mas Deus, na Sua infinita misericórdia, colocou no meu caminho duas pessoas que mudaram a minha história: o Sargento Edson e Dona Luíza, meus pais adotivos. Eles me recolheram, me deram um nome, me deram amor, me deram um lar. Foram eles que me ensinaram que a vida tem valor, que todo ser humano merece dignidade, que ninguém nasce para ser descartado. Tudo que eu sou, tudo que eu conquistei, começou nas mãos deles.
Daquele menino da caixa de sapato, com muito estudo, muita luta e muita fé, eu cheguei à magistratura. Fui Juiz de Direito por mais de 30 anos. Fui Juiz Titular da Vara da Fazenda Pública em Caruaru durante 18 anos. Fui Juiz Regional da Infância e Juventude, cuidando de 42 municípios do Agreste. Eu sei o que é começar do zero. Eu sei o que é vencer pela força do trabalho e pela graça de Deus.
E é por isso que eu não me calo. É por isso que eu não me acomodo.
A Bíblia nos diz: viemos do pó e ao pó voltaremos. Da vida, meu povo, não se leva nada. Ninguém vai pro túmulo com dinheiro no bolso. Então eu pergunto, com toda sinceridade: para que roubar o dinheiro do povo? Para quê? Vai levar pra onde? Vai esconder debaixo do colchão e levar pro caixão? Vai nada!
Cada centavo roubado dos cofres públicos é um centavo que falta no salário do trabalhador. É um centavo que falta no prato de uma criança. É um centavo que falta no remédio do idoso. É um centavo que podia ter ido pra escola, pro hospital, pra estrada que liga os nossos municípios, pro salário do professor que educa nossos filhos. Cada centavo desviado é uma traição contra o povo.
Eu poderia estar em casa, tranquilo, curtindo minha aposentadoria. Poderia fechar os olhos e dizer: “não é problema meu”. Mas eu não consigo. Eu, que fui abandonado numa caixa de sapato, não consigo ver crianças sendo abandonadas pelo Estado. Não consigo ver adolescentes em situação de risco sem assistência. Não consigo ver famílias inteiras passando necessidade enquanto os escândalos se repetem, um atrás do outro, sem que nada mude.
E não são só as pessoas. Também me dói ver os animais abandonados nas ruas, jogados fora como eu fui um dia. Pessoas de bom coração os acolhem em abrigos, mas vivem pela misericórdia de Deus, sem apoio, sem estrutura. Se eu sei o que é ser abandonado, eu sei também que todo ser vivo merece proteção.
É por tudo isso que eu não me acomodo.
Eu não venho da política. Eu venho da vida. Eu venho da dor. Eu venho da superação. E eu carrego a firme convicção de que este país pode ser melhor — se tiver gente honesta disposta a brigar por ele. Minha experiência, minha indignação e minha fé estão a serviço de Pernambuco e de Caruaru. Enquanto eu tiver força, eu vou lutar. Com integridade. Com firmeza. Com fé em Deus e amor pelo meu povo.
Que Deus abençoe cada família pernambucana e, de modo especial, o povo guerreiro de Caruaru.

Por Fernando Santos, Juiz de Direito Aposentado — Tribunal de Justiça de Pernambuco. 
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Foto: Divulgação