Por que escolhi a política como missão – José Fernando Santos de Souza, Juiz de Direito Aposentado do TJPE
20 de janeiro de 2026Muita gente me pergunta por que me aposentei aos 65 anos, quando poderia continuar na magistratura até os 75. Perguntam também por que, depois de três décadas vestindo a toga, decidi entrar para a política — um ambiente que tantos associam à falta de verdade, à deslealdade, à farra com o dinheiro público.
São perguntas justas. Merecem respostas honestas.
Comecei minha vida em 1960, dentro de uma caixa de sapatos, abandonado em uma praça pública de João Pessoa. Não fui jogado no lixo por pouco. Alguém decidiu que aquele recém-nascido merecia uma chance. O Sargento Edson e Dona Luíza me acolheram como filho e me deram um nome, um lar e a possibilidade de sonhar.
Daquele menino de caixa de sapatos nasceu um juiz. Durante quase sete anos, atuei como Juiz Regional da Infância e Juventude, cobrindo 42 municípios do Agreste pernambucano. Vi de perto o que poucos querem ver: crianças em situação de rua, adolescentes explorados, meninos e meninas tão pequenos, vítimas de abusos tão graves, que sequer tinham consciência do que estavam sofrendo. Carreguei nos ombros o peso de decidir destinos. Algumas noites, o sono não vinha.
Aposentei-me não por cansaço da Justiça, mas por urgência de outra luta. A toga me permitia julgar casos. A política me permite mudar estruturas.
Sei o que dizem sobre política. Conheço as críticas, muitas delas merecidas. Mas para quem veio do nada e testemunhou, durante décadas, o abandono sistemático da infância brasileira, ficar inerte não é opção. O silêncio seria cumplicidade.
Lembro de Moisés, que tinha tudo na casa de Faraó — conforto, poder, segurança. Mas quando viu seu irmão sofrendo, não pensou duas vezes. Partiu em sua defesa, mesmo sabendo o preço que pagaria. Há chamados que não se recusam.
Minha candidatura não nasce da vaidade. Não busco holofotes nem mordomias. Busco recursos, leis melhores, políticas públicas que alcancem aquelas crianças que hoje vivem nos sinais de trânsito, nas calçadas, nos becos escuros das nossas cidades — invisíveis para muitos, mas não para mim. Nunca para mim.
Elas não têm voz. Não têm voto. Mas clamam por socorro.
A voz do povo é a voz de Deus, diz o antigo provérbio. Confio nessa verdade. Sei que sozinho nada posso. Mas com a graça de Deus e a confiança do povo de Pernambuco, acredito que podemos escrever uma história diferente para nossas crianças.
É por isso que sou pré-candidato a Deputado Federal. Não por ambição pessoal, mas por missão. A mesma missão que me tirou de uma caixa de sapatos e me colocou numa cadeira de juiz. A mesma missão que agora me chama às urnas.
Porque quem foi salvo do abandono não pode abandonar os seus.
José Fernando Santos de Souza é advogado (OAB/PE 68.040), Juiz de Direito Aposentado do TJPE, Presidente da AANE e pré-candidato a Deputado Federal por Pernambuco.



